IVO 60 ministra oficina sobre personagens cômicos

Já começaram as inscrições para a segunda oficina de férias do grupo IVO 60 em São Paulo. Após a intensa semana com atividades relacionadas ao teatro de rua, o grupo foca nas questões relativas a criação de personagens cômicos. A oficina começa dia 6 de fevereiro e segue até dia 10, sempre de 10h às 13h. Inscrições podem ser feitas por meio do envio de carta de interesse para ivo60@ivo60.com.br. O investimento é de R$ 150. A sede do grupo fica na Rua Teodoro Baima, 78, República, São Paulo.

Entrevistamos brevemente a atriz Ana Flávia Chrispiniano, ministrante da oficina. Ela conta que existe uma gama diversa de tipos cômicos na história mundial do teatro, e a formação dessas personagens depende de fatores como a relação com a plateia. Para a oficina, ela vai aproveitar a experiência que o IVO 60 acumulou na pesquisa de técnicas para o palhaço, o bufão e a Commedia dell’arte. Confira a entrevista na íntegra:

Qual a experiência que o IVO 60 acumulou na criação de seus personagens cômicos?

O IVO 60 se formou em 2000 na ECA-USP e, desde então, o humor é uma constante em todas as peças (“Gozolândia – uma farsa democrática”, “O menino que fugiu da peça”, “Top!Top!Top!”, “ Sombras da Luz” e “Ópera de sabão”). Nos processos de criação das personagens, foram pesquisadas diversas técnicas, como o palhaço, o bufão e a Commedia dell´Arte. E, ao se apresentar em espaços não-convencionais (como praças, parques e escolas, por exemplo), o grupo acumulou grande experiência em improvisar com estas personagens na relação com os mais diversos espectadores.

O que podemos esperar da oficina de férias com esse tema?

Os participantes da oficina irão investigar novas possibilidades de expressão corporal e vocal, voltadas para a criação de personagens cômicos que irão improvisar entre si e com o público, gerando alguns roteiros de cena. Esta investigação terá como ponto de partida diferentes estímulos, como a observação de rua, elementos de figurino e outras surpresas advindas dos processos experimentados pelo IVO 60. Assim, cada participante terá a oportunidade de perceber quais procedimentos geram mais resultado para si, ou se o acúmulo destas experiências criativas é o mais potente.

Quais são as bagagens que cada pessoa precisa, na sua opinião, para sua formação pessoal enquanto artista de comédia? E quais são os requisitos esperados para a oficina?

É difícil falar em “artista de comédia” de um modo geral. Para o teatro feito na rua – ou feito dentro do teatro, mas com espaço para relação com a plateia – que é nossa maior experiência, acredito que o conhecimento das técnicas tradicionais que citei acima (Commedia dell´Arte, palhaço, bufão) é uma formação importante. Estas técnicas, guardadas suas especificidades, trabalham com alguns elementos que considero fundamentais, como: ritmo, improviso, presença e precisão. Para a oficina, não exigimos experiência anterior com comédia, mas o interesse por experimentar a proposta de trabalho do IVO 60 na criação de personagens cômicos.

Conta um pouco como foi a oficina de teatro de rua. Como foi a receptividade dos alunos e do público de rua?

Foi uma semana muito intensa, com saídas para experimentar a relação do ator com a rua quase todos os dias. Ao longo do nosso “microprocesso” de uma semana, o grupo pôde experimentar jeitos diferentes de encontrar o público que está no centro de São Paulo. No fim da oficina, estruturamos o material produzido em uma intervenção na rua Barão de Itapetininga, ali ao lado da praça da República. Isso – ajudado pela generosidade e disponibilidade do próprio grupo – abriu espaço para que os atores ampliassem seu repertório na relação com o espaço urbano e pudessem, agora, organizar com mais autonomia sua proposição cênica para a rua, seja no formato de performance, intervenção ou um teatro de rua mais tradicional.

 

 

Ainda bem quieto aqui.sas

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